Château de Beaucastel Chateauneuf-du- Pape 2013

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Um vinho que reflete perfeitamente seu terroir!

Château de Beaucastel Chateauneuf-du-Pape 2013 é o vinho que apresento hoje, procedente de uma região pela qual tenho uma grande admiração: o Rhône. Dividido em Rhône Setentrional (parte norte) e Rhône Meridional (parte sul), essa região produz grandiosos vinhos, conceituados e desejados em todo o mundo como é o caso do Côti Rotie,  Hermitage, Gigondas, Saint Joseph, Cornas e, claro, o Chateauneuf-du-Pape (para citar apenas alguns dos tintos); e poucos brancos, mas verdadeiras pérolas: Château-Grillet, Condrieu ou mesmo o Châteauneuf-du-Pape branco.

Localizado  na margem leste do rio Rhône, Chateauneuf-du-Pape é a maior e mais importante Denominação de Origem Controlada – AOC do Rhône Meridional, abrangendo 3.200 hectares. Produz maioritariamente tintos (95%). Seus vinhos tendem a serem ricos, especiados e encorpados. Entretanto, por abranger uma grande área, são amplos também os perfis de qualidade dos rótulos. Há vinhos fascinantes, que  refletem o terroir e o clima mais quente (como o que apresento a vocês neste “post”) mas  também muitos que chegam a decepcionar. E olha que não chegam ao mercado brasileiro com valor muito baixo. Por isso, uma dica importante é pesquisar sobre a qualidade do produto e produtor antes de comprar.

Entre Avignon e Orange, os 3200 hectares do vinhedo de Châteauneuf-du-Pape dominam a planície. As ruas da aldeia agrupadas no sopé do castelo, uma residência papal do século XIV, estão repletas de lindas fontes, além das diversas adegas, oportunidade para melhor descobrir esta famosa variedade de vinhos.

Além da diversidade de 13 variedades de uva permitidas, caracteriza-se pela consistente qualidade do solo. A terra calcária produz vinhos brancos aromáticos, cheios de frescura. Ao sul, o solo argiloso com galets roulés (pequenos pedregulhos redondos) produz vinhos encorpados e bem estruturados: o epítome de sua espécie. Para o norte, a terra arenosa produz vinhos leves, mas finos e apimentados.

Embora sejam 13 variedades de uvas tradicionalmente aprovadas, a Grenache é a principal, juntamente com Syrah e Mouvèdre, que dão ao vinho tinto a sua cor, estrutura, aromas de frutos de verão e complexidade aromática (notas de couro, etc.)

Hoje, as variedades mais utilizadas são Grenache e Cinsault (que dão aos vinhos o seu calor suave), Mourvèdre, Syrah e Muscardin (estrutura, cor e frescor), Counoise (corpo, frescor, bouquet) e as brancas Clairette e Bourboulenc. O sistema de treinamento de videiras Guyot é usado para o Syrah. Para outras variedades, são utilizados esporões de dois olhos em forma de leque ou gobelet, com um máximo de 15 olhos por videira, além do botão. Fios e estacas não podem ser usados.

Os vinhos de Chateauneuf-du-Pape são marcados pela alta graduação alcoólica. De fato, de acordo com as regras, devem ter um mínimo de 12,5%, mas, para os principais produtores, o número aceitável é de 13,5%; não é raro ver ótimos tintos com 14,5% ou até mais, sem que o álcool ressalte na boca, estando em perfeita harmonia com o conjunto.

São potentes, concentrados e de taninos mais evidentes, mas também cheios de tensão e acidez refrescante. Podem ser bebidos jovens, porém têm todos os requisitos para envelhecer muito bem e premiar os mais pacientes, já que, com o tempo, tendem a se tornar mais elegantes, complexos e polidos. São grandes vinhos em todos os sentidos, que pedem a companhia de pratos mais densos para mostrar todo o seu potencial, de preferência que levem carnes vermelhas cozidas ou assadas lentamente. Lógico, com exceção do branco, que tem estrutura e corpo para acompanhar desde peixes mais gordurosos até carnes de porco ou de ave em molhos mais densos.

Voltando-nos agora para o vinho deste post, posso afirmar que ele reflete todo o cuidado e expertise dos seus produtores em criar vinhos de altíssima qualidade, mesmo quando enfrentam as adversidades da natureza, que resultou 2013 na colheita mais tardia dos anos 2000.  Mas com maestria superaram as dificuldades e o resultado é um vinho potente e elegante com notas bem detalhadas de ameixa, tomilho e couro, enquanto os sabores estão maduros quase ao ponto de geleia.  Fez um belo par com o Beauf Bourguignon que preparei para a ocasião. Um vinho que não será esquecido.

Vinho: Château de Beaucastel Chateauneuf-du-Pape

Safra: 2013

Produtor: Famille Perrin

Região: Vallée du Rhône – Châteauneuf-du-Pape

Uvas: 30% Grenache, 30% Mouvèdre, 10% Counoise, 10% Syrah, 5% Cinsault e 15% de outras uvas permitidas para essa Denominação.

https://www.vinetto.com.br/

 

Fontes: Revista Adega, http://www.vins-rhone.com e http://www.beaucastel.com/en/

 

 

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