Qual a Cor do Vinho Verde?

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Foto por Roland Dumke em Pexels.com

Vinhos laranjas até que já existem. Mas, e os verdes?

Não, não existem vinhos na cor verde. Na verdade, Vinho Verde é uma denominação de origem para vinhos tranquilos e espumantes produzidos no noroeste de Portugal, que podem ser brancos, rosés e tintos. Os Vinhos Verdes!

Esses vinhos contam com frescor vibrante, são leves e têm expressão aromática e gustativa para notas frutadas e florais. Excelentes como aperitivo ou para acompanhar  diversos pratos, graças a sua acidez. De frutos do mar a carne de porco, de pratos à base de ervas aos picantes, como os da culinária oriental. Outro ponto relevante é a relação qualidade/preço. São sempre bem mais em conta que outros brancos de mundo a fora.

O Vinho Verde também se encaixa nas tendências atuais de consumo em todo o mundo, onde as pessoas estão preferindo vinhos de teor alcoólico mais baixo. O máximo que você vai encontrar no Vinho Verde são os 13% no Alvarinho do norte, com a maioria dos outros chegando a 11,5%. Perfeitos para esse calor de primavera ou no verão que se aproxima. Além disso tudo, muitos deles chegam ao mercado brasileiro entre R$ 40 e 100 e são fáceis de serem encontrados por aqui.

Subestimados por um longo período, passam agora por um grande “revival”, conquistando enófilos em todo o mundo graças a modernos métodos de vinificação, tecnologia e grande divulgação em todo o mundo.

Para escrever este artigo, decidi fazer também o meu “revival” dos Vinhos Verdes. Ao longo de dois meses degustei diferentes vinhos, de diversas castas e sub-regiões e todos me surpreenderam. Mas como a finalidade deste post não é apresentar um determinado vinho degustado por mim, você terá aqui um artigo sobre o Vinho Verde como forma de compartilhar com vocês as peculiaridades, principais castas e os diversos tipos de Vinho Verde.

Então, vamos conhecer mais sobre esses vinhos famosos por seu frescor e leveza?

Originariamente demarcada a 18 de Setembro de 1908, a Região Demarcada dos Vinhos Verdes estende-se por todo o noroeste de Portugal, na zona tradicionalmente conhecida como Entre-Douro-e-Minho.  Em termos de área geográfica é a maior Região Demarcada Portuguesa, e uma das maiores da Europa.

Os Vinhos Verdes brancos apresentam cor cítrica ou palha, aromas ricos, frutados e florais, dependendo das castas que lhes dão origem (veja mais abaixo as principais castas utilizadas dessa Região). Na boca são harmoniosos, intensos e evidenciam uma grande frescura.

Os Vinhos Verdes rosados revelam uma cor levemente rosada ou mais escura, aromas jovens, frescos, lembrando frutos vermelhos. O sabor é harmonioso, fresco e persistente.

Os Vinhos Verdes tintos têm cor vermelha intensa e, por vezes, espuma rosada ou vermelha viva, aroma com destaque para os frutos silvestres. Na boca são frescos e intensos e muito gastronômicos.

O Espumante de Vinho Verde reforça a característica de frescor aromático, associada a uma maior complexidade gustativa. Podem ser espumantes Bruto Natural, Doce, Reserva e Grande Reserva.

Para beneficiar-se da Denominação de Origem Vinho Verde, os vinhos estão sujeitos a um controle rigoroso de todas as fases do processo de produção, tais como as castas utilizadas, os métodos de vinificação e as características organolépticas.

A garantia da qualidade e genuinidade dos produtos com Denominação de Origem Vinho Verde é dada pelo Selo de Garantia, que certifica o Vinho Verde desde 1959.

 

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A Denominação de Origem Vinho Verde é empregada a vinhos e espumantes, brancos, tintos e rosados, aguardentes vínicas e bagaceiras e ainda a vinagre de vinho branco, tinto ou rosado.

Tal como na certificação de Denominação de Origem Controlada, os vinhos que beneficiam de Indicação Geográfica Minho estão igualmente sujeitos a um controle rigoroso de todas as fases do processo de produção.

A área de produção desta Indicação Geográfica coincide exatamente com a área de produção da Denominação de Origem Vinho Verde, tendo o processo de certificação o mesmo nível de rigor técnico, exceto no que diz repeito à produção e vinificação, buscando não necessariamente a tipicidade do vinho mas a produção de vinhos inovadores, de excelência, gerando grande dinâmica e experimentação na região.

As variações na tipologia de solos e microclimas justificam a repartição da região em nove sub-regiões, com diferentes castas recomendadas à produção de vinhos, espumantes e aguardentes. São as sub-regiões de Amarante, do Ave, de Baião, de Basto, do Cávado, do Lima, de Monção e Melgaço, de Paiva e do Sousa.

Sub-região de Amarante:

Seus vinhos brancos apresentam habitualmente aromas frutados e percentual alcoólico superior à média da Região. Mas são os tintos que traduzem a fama dessa sub-região, uma vez que as condições climáticas favorecem uma boa maturação das uvas tintas, sobretudo a casta Vinhão, resultando em vinhos de cor carregada e muito viva.

Sub-região do Ave:

Beneficiada por clima caracterizado por baixas amplitudes térmicas e índices médios de precipitação, esta sub-região é sobretudo uma zona de produção de vinhos brancos, com uma frescura viva e notas florais e de fruta cítrica a partir das castas Arinto, Loureiro e  Trajadura, esta última completando na perfeição um lote de vinho com Arinto e Loureiro.

Sub-região de Baião:

A sub-região de Baião encontra-se no seu limite com a Região Demarcada do Douro. As suas características climáticas permitem o amadurecimento correto das castas de maturação mais tardia, como o Azal e o Avesso (brancas) e o Amaral (tinta). Esta sub-região tem-se afirmado na produção de vinhos brancos de grande notoriedade a partir da casta Avesso, de aroma intenso e frutado a uma acidez viva.

Sub-região de Basto:

A sub-região de Basto possui clima mais agreste, com inverno frio e muito chuvoso e verão bastante quente e seco, favorecendo castas de maturação tardia como é o Azal (branca), o Espadeiro e o Rabo-de-Anho (tintas). É nesta zona que a casta Azal atinge o seu máximo potencial e permite obter vinhos muito particulares, com aroma a limão e maçã verde, muito frescos. Existe ainda uma considerável produção de Vinhos Verdes tintos que apresentam muita vinosidade e uma boca cheia e fresca.

Sub-região do Cávado:

Nesta sub-região, o clima é adequado à produção de vinhos brancos, sobretudo das castas Arinto, Loureiro e Trajadura. São vinhos com uma acidez moderada e notas de frutos citrinos e pomoideas (maçã e pera). Os vinhos tintos são na sua maioria produzidos a partir de Vinhão e Borraçal, e apresentam uma cor vermelho granada e revelam aromas a frutos frescos.

Sub-região do Lima:

Os vinhos brancos mais afamados dessa sub-região são produzidos a partir da casta Loureiro. Os aromas são finos e elegantes e vão desde o citrino (limão) até ao floral (rosa). As castas Arinto e Trajadura encontram-se também bem disseminadas neste local, pois adaptam-se bem a climas amenos influenciados pelos ventos marítimos. Os vinhos tintos são produzidos principalmente a partir das castas Vinhão e Borraçal.

Sub-região de Monção e Melgaço:

A sub-região de Monção e Melgaço possui um microclima muito particular, sendo exclusiva nas castas Alvarinho (branca) e Pedral (tinta) e divide com a sub-região de Baião a recomendação para o Alvarelhão (tinta), três castas de maturação precoce.  Este microclima caracteriza-se por invernos frios, ao passo que os verões são bastante quentes e secos, o que denota uma influência atlântica limitada.

Sub-região de Paiva:

A sub-região do Paiva está numa posição intermédia relativamente às amplitudes térmicas e temperaturas altas de verão que se verificam na Região. É por essa razão que as castas tintas Amaral e, sobretudo, Vinhão, atingem estados ótimos de maturação e produzem alguns dos Vinhos Verdes tintos mais prestigiados de toda a Região. Relativamente aos vinhos brancos, são obtidos a partir das castas Arinto, Loureiro e Trajadura, adaptadas a climas temperados e, por isso, comuns a quase toda a Região dos Vinhos Verdes, mas aqui com uma aliada que é o Avesso, casta mais característica das sub-regiões interiores.

Sub-região do Sousa:

Trata-se de uma zona interior mas sem invernos fortes ou verões muito quentes. As castas principais são as típicas dos locais mais amenos, Arinto, Loureiro e Trajadura, às quais se juntam o Azal e o Avesso que têm uma maturação mais exigente. Relativamente aos Vinhos Verdes tintos vinificam-se as castas Borraçal e Vinhão, disseminadas por toda a Região, e ainda o Amaral e o Espadeiro. Esta última casta muito utilizada para a produção de vinhos rosados.

Muitas das castas produzidas na Região dos Vinhos Verdes são consideradas autóctones em razão da sua antiguidade na Região e pelo fato de terem surgido apenas no noroeste ibérico. Este é talvez o principal fator para a especificidade do Vinho Verde.

 

Principais Castas Brancas

Fotos gentilmente cedidas pela Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes

Alvarinho

Casta cultivada particularmente na sub-região de Monção e Melgaço, mas dada a sua elevada qualidade tem sido levada para outros pontos da região e do país. O vinho caracteriza-se por uma cor intensa, palha, com reflexos citrinos, aroma intenso, distinto e complexo, que vai desde o marmelo, pêssego, banana, limão, maracujá e lichia, a flor de laranjeira e violeta, a avelã e noz, e a mel, sendo o sabor complexo, macio, redondo, harmonioso, encorpado e persistente.

Arinto

Casta cultivada por toda a Região (não recomendada na sub-região de Monção e Melgaço). Conhecida como Arinto de Bucelas, atinge o seu mais elevado nível de qualidade nas zonas interiores da região. Os vinhos são de cor citrina a palha, apresentam aroma rico, do frutado dos citrinos e pomoideas (maçã madura e pera) ao floral (lantanas). O sabor é fresco, harmonioso e persistente.

 Avesso

Casta cultivada particularmente na sub-região de Baião, mas dada a sua alta qualidade, tem sido cultivada em sub-regiões limítrofes como a de Amarante, Paiva e Sousa. Produz vinhos de cor intensa, palha aberta, com reflexos esverdeados, aroma misto entre o frutado (laranja e pêssego), o amendoado (frutos secos) e o floral, sendo o caráter frutado dominante, delicado, sutil e complexo. O sabor é frutado, com ligeiro acídulo, fresco, harmonioso, encorpado e persistente. Estas potencialidades de aroma e sabor revelam-se somente alguns meses após a vinificação.

 Azal

Casta cultivada particularmente em zonas do interior onde amadurece bem e atinge o seu nível de qualidade quando plantada em terrenos secos e bem expostos das sub-regiões de Amarante, Basto, Baião e Sousa. Produz vinhos de cor ligeira, citrina aberta, descorada, aroma frutado (limão e maçã verde) não excessivamente intensos e complexos; finos, agradáveis, frescos e citrinos, sendo o sabor frutado, ligeiramente acídulo, com frescura e jovem, podendo em anos excecionais revelarem-se encorpados e harmoniosos.

 Loureiro

Casta cultivada em quase toda a região e melhor adaptada às zonas do litoral, não sendo recomendada nas sub-regiões mais interiores. Antiga e de alta qualidade, produz vinhos de cor citrina, aroma fino, elegante, que vai do frutado de citrinos (limão) ao floral (frésia, rosa) e melado (buquê), sendo o sabor frutado, com ligeiro acídulo, fresco, harmonioso, encorpado e persistente.

Trajadura

Casta cultivada por toda a região (não recomendada na sub-região de Baião), de boa qualidade, produz vinhos de cor intensa, palha dourada, de aroma intenso, a frutos de árvore maduros (maçã, pera e pêssego), macerados, sendo o sabor macio, quente, redondo e com tendência, em determinadas condições, a baixa acidez.

 Principais castas tintas:

Espadeiro

Casta em expansão na Região. Produz vinhos de cor rubi, de aroma e sabor à casta e frescos. Tradicionalmente vinificada em “bica aberta” em diferentes locais da Região para produção de vinho rosado.

Padeiro

Casta de pouca expansão na Região, sendo cultivada particularmente na sub-região de Basto, sendo hoje também recomendada nas sub-regiões do Ave e do Cávado. Produz vinhos de cor vermelha rubi a vermelha granada, de aroma e sabor à casta, harmoniosos e saborosos.

Vinhão

Casta de grande expansão é cultivada em toda a Região pela sua qualidade e dado ser a única casta regional tintureira. Produz vinhos de cor intensa, vermelho granada, de aroma vinoso, onde se evidenciam os frutos silvestres (amora e framboesa), sendo o sabor igualmente vinoso, encorpado e ligeiramente adstringente.

Os Vinhos Verdes devem ser consumidos jovens. Por isso, esteja atento ao ano da safra indicativa no rótulo. Contudo, os vinhos que apresentam teor alcoólico mais elevado e que são mais complexos, nomeadamente os da casta Alvarinho, têm um potencial de envelhecimento muito positivo.

Veja abaixo a temperatura de serviço para cada tipo de Vinho Verde:

– Vinho Verde Branco 8 a 12 °C;

– Vinho Verde Rosado 10 a 12 °C;

– Vinho Verde Tinto 12 a 15 °C.

– Espumantes de Vinho Verde 6 a 8 °C.

Rota dos Vinhos Verdes

A impressionante beleza da região do Minho serve de cenário à Rota dos Vinhos Verdes. Percorrer esses caminhos é descobrir as origens e sabores da milenar cultura vinícola e mergulhar a fundo na História de Portugal. Para conhecer o programa completo acesse:

http://rota.vinhoverde.pt/pt/rota-dos-vinhos-verdes

 

Bibliografia utilizada:  http://www.vinhoverde.pt/pt/sobre-o-vinho-verde

 

2 comentários Adicione o seu

  1. Luiz disse:

    Foi-se o tempo do vinho verde rústico; difícil de beber. Bebi muitos. Portugal, hoje, entrga vinhos de alto padrão, superando a mesmice dos argentinos e chilenos: tudo igual. Ótima matéria.

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    1. Obrigado Luiz! Eh verdade, eh o Velho Mundo com vinhos renovados.

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